domingo, 4 de janeiro de 2015

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Os pecados capitais da Virtualidade


imagem Suave para Pedir um pouco mais de Paz e Harmonia


Qual será o mal do século? Há quem diga que a depressão. Talvez o seja. Enfrentamos cada vez mais as turbulências de uma sociedade onde o prazer está no imediatismo e que o novo já nasce com prazo de validade. A tecnologia do entretenimento avança ao mesmo tempo em que muitas pesquisas cientificas que melhorariam a condição da vida humana acabam sendo deixadas de lado, ignoradas, falidas. As relações humanas se modificam e as prioridades se tornam fúteis. Cresce a agressividade, a vontade de ser mais, ser maior independente do preço que se pague. Tamanha a histeria que as pessoas já se mantêm preparadas para o ataque a qualquer momento. 

Vivemos aqui, no Brasil, uma onda de agressividade, especialmente no campo virtual, quando as eleições presidenciais foram disputadas. Simples civis transformaram suas contas virtuais em fortes de batalha. Seguraram bandeiras de partidos e lançaram as piores alcunhas em todos os dissidentes de seus ideais. Amigos desafiaram amigos e perderam seus laços. Pessoas se declararam abertamente a favor de condutas misóginas, racistas e preconceituosas. Seguiram a lei do “a qualquer preço”. Como se a bandeira partidária fosse à pátria a qual se deve defender independente dos meios. As eleições findaram, mas a disputa partidária ainda invade a virtualidade.

Fosse apenas a luta política que contaminasse a virtualidade, talvez fosse mais fácil nos recuperarmos dessa situação, mas os pontos forte, as bases do problema estão no egoísmo humano. A vontade de estarem sempre certos, a sede por poder e o exibicionismo desenfreado movem a massa rumo a destruição do Outro. No mundo virtual a ostentação e exibição são as fontes da luxuria. Citemos a blogosfera como um exemplo, quem consegue fama logo despreza os que estão iniciando nessa jornada, esquecem que um dia estavam confusos e curiosos desejando um pouco de atenção por aqui. É como a pessoa que sofre violência e quando tem uma oportunidade para escolher entre ajudar ou agredir alguém, abruptamente se vinga do seu sofrimento anterior causando dor a quem poderia simplesmente ajudar. A ideia é tornar-se forte, desprender-se das características e de tudo que lembravam sua fraqueza e devastar todos que ainda são fracos. Aqueles que poderiam dar uma palavra de apoio, desejar boa sorte, criticar construtivamente não se permitem ser nobres. Na menor oportunidade atacam ferozmente, batem, humilham, afiam as palavras e no intimo de suas mentes torpes desejam que o mais fraco desista e que nunca chegue ao seu nível.

Não estou generalizando, ao seria inteligente fazê-lo. Digo apenas o observável, talvez o óbvio. O instinto de competitividade abala o ideal de bondade e caridade. No dia-a-dia, no trabalho, no caminho de ida e volta pra casa, as bombas sempre estouram ou faíscam. Uma pisada no pé, um esbarrão dentro do ônibus coletivo, um tropeço, um pedindo, qualquer coisa pode servir para fazer a pessoa explodir em xingamentos, berros e até violência física. Chegam em casa, ou acessam as redes por seus celulares, avistam uma postagem, um comentário, algo que não é forte o suficiente para passar por suas aprovações. Então começam: retalham insultam, gritam. E se a pessoa rebate, discursa, se defende, já virou comum acusar a pessoa de burra, lançar outras diversas alcunhas e declarar que todo discurso alheio é “mimimi”. Onde poderia digitar um “okay, obrigado”, escrevem “se não gostou suma daqui”. Onde poderia haver boa convivência só resta desprezo.

 Claro, e felizmente, temos algumas exceções, poucas pessoas preferem o “bem viver”, cultivam a sanidade mental e o respeito ao próximo. Reitero: RESPEITO. Pra alguns a caridade é possível e a harmonia desejável, esse sujeitos de bom senso são raros. Assim como um professor não pode se achar maior do que seus alunos, a pessoa que se dispõe a ser harmoniosa entende que o fato de ter mais atenção da massa não significa que ela tenha direito de sobrepujar as outras. O vicio da virtualidade esta no exibicionismo, e reside nisso o mais odiento comportamento humano: a vil soberbia.

A afetividade vem perdendo espaço (embora, curiosamente, nos cursos de pedagogia tenha sido uma das palavras que mais ouvi). O carinho, as palavras bondosas. O simples fato de dedicar um momento de sua atenção a quem precisa se tornou algo incomum. Isso me lembra  um pouco o filme “ O doador de Memórias”. Há uma banalidade das palavras, e no filme vemos até a exacerbação da precisam na comunicação. Expressões como “bom dia”, “boa tarde”, “boa noite”, se tornam vazias, não tencionam de maneira alguma desejar um bem ao próximo. O desculpar-se é vulgar, não se pede desculpas por arrependimento e sim de maneira mecânica. Esse caminho perigoso se entende cada vez mais e muitas vezes a virtualidade o engrandece.
Entre a massa e o Sujeito Raro, eu prefiro ser dos raros. Eu estarei aqui, tal qual meu titulo acadêmico sugere, disposto a guiar caminhos e mais a caminhar junto. Não é a virtualidade que causa o caos, é a banalidade que o ser humana dá em relação ao sentimento do outro e sua incomensurável vontade de aparecer. As coisas não podem ser conquistadas a qualquer preço, muito menos algo tão inglório quanto o Poder e a Atenção.



Por : Augusto Junior de Oliveira

Desejo que sopre o vento bom e sintam a brisa do amor e da alegria.

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4/ 5
Oleh

7 comentários

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5 de janeiro de 2015 10:24

Olá Augusto !
Como vai espero que bem !
Frase tirada do post '' No mundo virtual a ostentação e exibição são as fontes da luxuria.''
Para mim esse é um dos maiores pecados !
Afinal o mundo é injusto de mais !
Adorei seu post !
beijooos
eduardaarosaa.blogspot.com

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5 de janeiro de 2015 10:31

Obrigado pela visita. Eu adorei seu blog, especialmente a parte gastronômica ( quando mais eu quero emagrecer mais procuro comida rsrsrs)

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5 de janeiro de 2015 20:48

Amei post mto bom e bem escrito o que tem sido raridade na blogosfera

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5 de janeiro de 2015 21:13

Agradeço a receptividade, Claudia. Muita paz e luz sempre. Abraços

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6 de janeiro de 2015 04:16

adorei o seu blog seguindo vc já
http://www.modanamao.com.br/

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22 de janeiro de 2015 18:44

Olá, Augusto.
Gostei muito do post. Parabéns, sucesso!
https://novosromeus.blogspot.com

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