Mostrando postagens com marcador contos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador contos. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Contos do Universo de Harry Potter: A história da Familia de Harry Potter

Contos do Universo de Harry Potter: A história da Familia de Harry Potter

A tradução em português brasileiro na íntegra feita pela equipe do PotterIsh pode ser lida abaixo:

A família Potter é muito antiga, porém nunca esteve (até o nascimento de Harry Tiago Potter) nas linhas principais da história bruxa, contentando-se com uma sólida e confortável existência nos bastidores.


Potter não é um sobrenome Trouxa incomum e, por esta razão, a família não fazia parte da lista dos “Sagrados Vinte e Oito”; o autor anônimo desta lista supostamente definitiva de sangues-puros suspeitou que eles teriam surgido do que ele considerava ser sangue contaminado. Porém, a mágica família Potter teve nobres inícios, e alguns deles ficaram implícitos em “Relíquias da Morte”.

No mundo trouxa, “Potter” é um sobrenome ocupacional, significa um homem que cria cerâmicas. A família bruxa dos Potters descende de um bruxo do século XII, Linfred de Strinchcombe, um homem local, excêntrico e bem-amado, cujo apelido, “o Potterer”, foi simplificado com o tempo para “Potter”. Linfred era um camarada vago e distraído, cujos vizinhos Trouxas frequentemente o procuravam em busca de seus serviços medicinais. Nenhum deles percebeu que os poderes maravilhosos de Linfred para a cura de catapora e malária eram mágicos; todos o viam como um velho colega inofensivo e amável, cuidando de seu jardim com todas suas plantas engraçadas. A reputação de um excêntrico bem-intencionado coube bem a Linfred, porque atrás das portas ele podia continuar a série de experimentos que começou a base da fortuna da família Potter. Historiadores dão crédito à Linfred pela criação de vários remédios que evoluíram em poções ainda utilizadas hoje em dia, incluindo a Esquelesce e a Poção Apimentada. As vendas de suas curas para bruxos e bruxas possibilitou-lhe deixar uma significante pilha de ouro para cada um de seus sete filhos após sua morte.


O filho mais velho de Linfred, Hardwin, casou-se com uma linda jovem bruxa chamada Iolanthe Peverell, que veio da vila de Godric’s Hollow. Ela era a neta de Ignoto Peverell. Na falta de herdeiros homens, ela, a mais velha de sua geração, herdou a capa da invisibilidade de seu avô. Iolanthe explicou para Hardwin que era uma tradição em sua família manter a posse da capa em segredo, e seu novo marido respeitou seus desejos. A partir de então, a capa foi passada para o mais velho de cada nova geração.


Os Potters continuaram casando com os seus vizinhos, de vez em quando Trouxas, e vivendo no oeste da Inglaterra por várias gerações, cada um acrescentando aos cofres da família com o seu duro trabalho e, isso deve ser dito, pela marca tranquila de ingenuidade que caracterizou seu antecessor, Linfred.

Ocasionalmente, os Potters chegaram até Londres, e dois membros da família se sentaram na Suprema Corte dos Bruxos: Ralston Potter, que foi membro de 1612 até 1652, e que era um grande apoiador do Estatuto do Sigilo (oposição em declarar guerra aos Trouxas, como muitos membros militantes desejavam) e Henry Potter (Harry para os íntimos), que era um descendente direto de Hardwin e Iolanthe, e serviu na Suprema Corte de 1913 até 1921. Henry causou uma pequena desordem quando publicamente condenou o então Ministro da Magia, Archer Evermode, que havia proibido a comunidade mágica de ajudar os Trouxas na Primeira Guerra Mundial. Seu posicionamento a favor da comunidade Trouxa foi outro forte fator contribuinte na exclusão da família dos “Sagrados Vinte e Oito”.


O filho de Henry chamava-se Fleamont Potter. Ele era chamado assim por causa do desejo incessável da mãe de Henry para que perpetuasse seu sobrenome de solteira, que de outra forma sumiria. Ele carregou este peso extraordinariamente bem; de fato, ele sempre atribuiu sua destreza em duelos ao número de vezes que ele teve de lutar com as pessoas em Hogwarts depois de fazerem brincadeiras com seu nome. Foi Fleamont quem quadriplicou o ouro da família, criando a Poção Capilar Alisante (“duas gotas domam o mais rebelde dos cabelos”). Ele vendeu a companhia e lucrou muito quando se aposentou, mas nenhuma riqueza compensaria ele ou sua esposa Euphemia pela falta de filhos. Eles tinham acabado de perder a esperança de ter um filho ou filha quando, para seu choque e surpresa, Euphemia descobriu que estava grávida e seu amado menino, Tiago, nasceu.

Fleamont e Euphemia viveram o suficiente para ver Tiago se casar com uma nascida-trouxa chamada Lílian Evans, mas não para conhecer seu neto, Harry. A Varíola de Dragão levou-os em poucos dias devido à idade avançada, e então Tiago Potter herdou a capa da invisibilidade de Ignoto Peverell.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

[Pottermore] J.K. Rowling revela por que os Dursley não gostavam de Harry



Os Dursleys são a família que acolhe Harry Potter após o falecimento de seus pais. Petúnia é irmã de Lilian, mãe de Harry. Acompanhando a relação deles com Harry em todos os livros vemos como essa família nutre preconceitos e atitudes de gente miserável e mesquinha. Petúnia é omissa, além de detestável. Valter é rabugento e cruel e Duda, o filho do casal, não perde uma oportunidade de fazer da vida de Harry um inferno. Tendo vivido muitos anos dentro do armário debaixo da escada, cotidianamente maltratado e desprezado, Harry sentiu que seu lar de verdade era e sempre seria Hogwarts. No desenvolvimento da historia a família não muda muito, embora no ultimo livro, Duda reconheça que Harry não é um "desperdício", contraria os pais e de alguma maneira mostra ser grato por Harry ter salvo sua vida contra o ataque dos Dementadores. J.k Rowling publicou recentemente no Pottermore um texto sobre a família Dursleys que deve explicar um pouco do sentimento deles por Harry. Em outro momento trarei mais informações sobre a família Dursley com trechos do livro, aguardem..



Conto/Pottermore: 


"O tio e a tia de Harry se conheceram no trabalho. Petúnia Evans, sempre amargurada pelo fato de que seus pais pareciam dar mais valor à irmã do que a ela mesma, deixou Cokeworth para sempre para cursar aulas de digitação em Londres. Isto a levou até um escritório onde ela conheceu o extremamente descrente em magia, opinativo e materialista Valter Dursley. Largo e sem pescoço, o executivo júnior parecia um exemplo de masculinidade para a jovem Petúnia. Ele não só retribuiu o interesse romântico dela, como também era deliciosamente normal. Ele tinha um carro perfeitamente correto, e queria fazer coisas completamente normais, e por todo o tempo em que ele a levou para uma série de encontros tediosos, durante os quais ele falava principalmente sobre si mesmo e suas ideias previsíveis no mundo, Petúnia sonhava com o momento em que ele colocaria um anel em seu dedo.

Quando, no devido tempo, Valter Dursley propôs casamento, muito corretamente, apoiado em um joelho na sala de estar da casa da mãe dele, Petúnia aceitou logo. Sua única preocupação era que seu noivo descobrisse sobre sua irmã, que agora estava em seu último ano na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Valter era apto a desprezar qualquer pessoa que usasse sapatos marrons com ternos pretos; e o que ele poderia fazer com uma jovem mulher que passava a maior parte de seu tempo usando longas vestes e lançando feitiços, Petúnia nem conseguia imaginar.


Ela contou-lhe a verdade em um dia triste e chuvoso, no carro escuro de Valter, onde estavam sentados observando a loja em que ele havia comprado alguns lanches pós-cinema. Valter, como Petúnia imaginou, estava completamente chocado; no entanto, ele disse à Petúnia que nunca usaria contra ela o fato de ela ter uma irmã esquisita e Petúnia atirou-se nele em um ato de violenta gratidão que o fez derrubar suas salsichas esmagadas.

O primeiro encontro entre Lilian, seu namorado Tiago Potter, e o casal de noivos foi mal, e o relacionamento só piorou a partir daí. Tiago se divertiu com Valter, e cometeu o erro de mostrar isso. Valter tentou apadrinhar Tiago, perguntando que tipo de carro ele dirigia. Tiago descreveu sua vassoura de corridas. Valter presumiu em voz alta que os bruxos deveriam viver de seguro-desemprego. Tiago explicou sobre o banco Gringotes e a fortuna que seus pais deixaram para ele, em ouro sólido. Valter não pôde dizer se o outro estava brincando ou não, e sua raiva cresceu. A noite terminou com Valter e Petúnia saindo muito irritados do restaurante, enquanto Lilian explodia em lágrimas e Tiago (um pouco envergonhado de si mesmo) prometeu consertar as coisas com Valter na primeira oportunidade que tivesse.


Isto nunca aconteceu. Petúnia não quis Lilian como dama de honra, pois ela estava cansada de ser ofuscada. Lilian estava magoada. Valter se recusou a falar com Tiago na recepção, mas o descreveu, para que ele pudesse ouvir, como “uma espécie de mágico amador”. Uma vez casados, Petúnia foi ficando cada vez mais parecida com Valter. Ela amava a pequena casinha quadrada deles, número quatro da Rua dos Alfeneiros. Ela estava segura, agora, de objetos que se comportavam de forma estranha, como bules de chá que entoavam músicas toda vez que ela passava, ou longas conversas sobre coisas que ela não entendia, com nomes como "Quadribol" e "Transfiguração". Ela e Valter optaram por não comparecer ao casamento de Lilian e Tiago. A última correspondência que ela recebeu de Lilian e Tiago anunciava o nascimento de Harry, e depois de uma olhada desdenhosa, ela a jogou no lixo.

O choque de encontrar seu sobrinho órfão em sua porta mais ou menos um ano depois foi, portanto, extremo. A carta que o acompanhava relatava como os pais dele haviam sido assassinados e pedia aos Dursley para tomarem conta dele. Ela explicava que, devido ao sacrifício feito por Lilian, que deu sua vida pela do filho, Harry estaria protegido da vingança de Lord Voldemort desde que ele pudesse chamar o lugar onde ainda existia o seu sangue de casa. O que significava que a casa da Rua dos Alfeneiros, número quatro, era o único santuário dele.


Antes da chegada de Harry, Petúnia havia se tornado o mais determinado dos Dursley em suprimir todos os comentários sobre sua irmã. Petúnia tinha alguns sentimentos latentes de culpa pelo modo como ela cortou a irmã (quem ela sabia, em seu coração secreto, que sempre a havia amado) de sua vida, sentimentos estes que foram enterrados sob o ciúme e amargura consideráveis. Petúnia também havia mantido dentro de si mesma (e nunca confessado a Valter) que há muito tempo atrás, tinha esperanças de que pudesse apresentar sinais de magia e ser mandada para Hogwarts.

Lendo o conteúdo chocante com a letra de Dumbledore, no entanto, que contava a ela quão bravamente Lilian havia morrido, ela sentiu que não havia outra escolha a não ser acolher Harry e o criou ao lado de seu próprio filho amado, Duda. Ela o fez de má vontade, e passou o resto da infância de Harry punindo-o por escolha própria. A antipatia do tio Valter foi mantida à parte, como a de Severo Snape, pela semelhança com o pai que ambos desgostavam.

As mentiras deles para Harry sobre como os pais dele morreram foram baseadas largamente em seus próprios medos. Um bruxo das trevas tão poderoso como Voldemort assustava-os muito, e como todas as mentiras que encontravam eram perturbadoras ou de mau gosto, eles as empurravam para o fundo de suas mentes e mantinham a história do “acidente de carro” tão consistente que com o tempo eles quase chegaram a acreditar que era verdade.

Embora Petúnia tenha crescido ao lado de uma bruxa, ela era notavelmente ignorante em magia. Ela e Valter compartilhavam uma ideia confusa de que eles, de alguma forma, seriam capazes de “espremer” a magia para fora de Harry e na tentativa de jogar fora as cartas de Hogwarts que chegavam no aniversário de onze anos de Harry, eles caíram de volta na antiga superstição de que bruxas não podem cruzar água. Como ela tinha frequentemente visto Lilian pular córregos e atravessá-los pisando sobre as pedras durante sua infância, ela não deveria ter se surpreendido quando Hagrid não teve dificuldade em fazer o seu caminho através do mar tempestuoso até a cabana de pedra."

---

Os pensamentos de J.K. Rowling


Petúnia e Valter foram assim chamados desde sua criação, e nunca tiveram uma lista de nomes experimentais, como muitos outros personagens tiveram. “Valter” é simplesmente um nome com o qual eu não me preocupei muito. “Petúnia” é o nome que eu sempre dei às personagens femininas desagradáveis em jogos de faz-de-conta que eu jogava com a minha irmã, Di, quando ela era bem mais nova. Eu não tinha certeza do nome quando consegui escrever, mas um amigo meu me deu uma série de filmes de informações públicas que eram mostrados na televisão quando éramos jovens (ele coletou tais filmes e colocou-os no notebook para diversão). Um deles era uma animação em que um casal sentou em um penhasco curtindo um piquenique e assistindo um homem se afogar no mar abaixo deles (a mensagem do filme era “não acene de volta – chame o salva-vidas”). O marido chamou a mulher de Petúnia e de repente eu me perguntei se não havia sido dele que eu havia retirado este nome improvável, pois eu nunca conheci nenhuma pessoa chamada Petúnia ou, pelo que eu me lembre, li sobre elas. O subconsciente é uma coisa muito estranha. A personagem Petúnia do desenho era gorda, com caráter alegre, então a única coisa que eu poderia ter pego era o seu nome.

O sobrenome Dursley foi tirado de uma cidade com o mesmo nome, em Gloucestershire*, que não é muito longe de onde eu nasci. Eu nunca visitei Dursley, e eu espero que seja cheia de pessoas charmosas. Foi o som da palavra que me fez recorrer a ela, e não qualquer associação com o local.

Os Dursley são reacionários, preconceituosos, intolerantes e ignorantes. A maioria das minhas coisas menos favoritas. Eu queria sugerir, no final do livro, que alguma coisa decente (um amor há muito esquecido, mas que ainda queima por sua irmã; a percepção de que ela nunca mais verá os olhos de Lilian novamente) quase saiu de tia Petúnia quando ela diz adeus à Harry pela última vez, mas que ela não é capaz de admitir, ou mostrar seus sentimentos há muito enterrados.

Embora alguns leitores tenham esperado mais da tia Petúnia durante esta despedida, eu ainda penso que eu a fiz se comportar de uma maneira mais consistente com seus pensamentos e sentimentos ao longo dos sete livros anteriores.


Ninguém nunca pareceu esperar nada melhor do tio Valter, então eles não ficaram desapontados.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Comentando um livro: Patos Selvagens ( Samuel Medina)

Sou um amante declarado dos contos. Considero um mestre o autor que consegue reunir no espaço limitado dos contos todos os elementos necessários para tornar uma historia atraente e envolvente. Também sou fã de livros extensos e sagas, nunca deixarei minha paixão por J.K Rowling e Tolkien, mas o conto tem em si especificidades que me encantam. Não é tarefa fácil reunir em poucas paginas um mundo inteiro que foi imaginado. 

Samuel Medina é o autor que me entregou hoje uma nova chave de portal. Adentro em seu trabalho com sede de historias que me façam viajar e personagens que me contem segredos. Trarei algumas de suas obras no decorrer do ano, sendo a primeira “Patos Selvagens”. O autor nasceu no RJ e veio ainda pequeno morar na capital Mineira. É graduado em Letras pela UFMG e contador de historia pela escola da vida e tem todo um mundo de encantos em seus livros esperando para deliciar e cativar os leitores. 

Sabemos que não se pode julgar um livro pela capa, entretanto quando encontramos uma arte de capa atraente somos levados a ingressar no livro, a capa é de todo modo um cartão de visitas e uma porta de entrada. A capa do livro, tal qual seu conteúdo, é adorável. A imagem singela da moça envolvida por uma grande figura de pato tendo como plano de fundo árvores de um bosque ou floresta. Há uma sintonia entre a imagem da capa e o conteúdo do texto, a capa estende a mão para o leitor e as palavras fazem o leitor caminhar por dentro de belo conto. 

A historia envolve dragões, magos/magia, maldição de família, cavaleiros, caçadores de tesouros e um dos mais importantes sentimentos que existem: o amor verdadeiro. O autor desenvolve a trama expondo as premissas e esclarecendo as origens, logo nos entrega perguntas que nos levam em busca de respostas. 

Nosso caçador de tesouros deverá desvendar o enigma que envolve e liga sua vida com a vida da Dama do Lago, uma linda moça que vivera a prisão de uma maldição que a prendia no lago e fazia transformar-se em patos todos que se aproximavam. Em meio às agruras dessa missão e com o coração acelerado em sentimentos e anseios nosso herói terá de enfrentar um grande perigo e mostrar coragem mesmo diante de um inimigo poderosíssimo e temível. 


Dados do livro: 


Titulo: Patos Selvagens 

Autor – Samuel Medina 

Editora: Baobá 

Belo Horizonte – 2014 

76 páginas

Estamos Sorteando o Livro, para saber mais visite nossa pagina do Facebook clicando aqui .



Sobre o autor: 


Não há muito o que falar sobre Samuel Medina. Comecei a escrever aos nove anos, motivado pelas leituras da Série Vaga Lume e também pela obra de Monteiro Lobato. Desde então, tenho sempre sonhado com mundos maravilhosos, onde coisas incríveis acontecem. Minha inspiração está em tudo aquilo que pode nos tocar. Uma boa história, seja em livro, quadrinho ou filme, uma boa música.
Leia também nossa entrevista com o autor clicando aqui.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Comentando um conto: A questão de todas as questões ( Carlos Patrício)

Sigo meu caminho literário pelo mundo dos contos de Carlos patrício no livro Delirium. Mais uma vez encontrei personagens envolventes e reflexões valiosas.



"A questão de todas as questões" apresenta três personagens com diferentes discursos sobre crenças, deuses e religião. Cada qual com seus argumentos defende o que pensa e se oportuniza atacar, com sutileza ou fúria, a ideia do outro.

Encontramos um médico que acredita na existência de um deus , mas repudia as religiões e os grandes males que alguma causaram e causam à humanidade. Uma funcionaria da cantina do Hospital que crê fervorosamente na Bíblia, fiel e devota é incapaz de questionar. E por fim a "irmã" do medico, uma moça que se destaca por ser ateia e que sofre da maligna doença: o câncer.
No desenvolver do conto cada personagem tem a oportunidade de expor suas idéias. Os argumentos são claros e os leitores podem se identificar com algum dos personagens. Imagino que , assim como eu, cada leitor pode se identificar com um personagem e escolher a posição dele e até mesmo se sentir enérgico contra o personagem que se opor ao seu escolhido.

O câncer da "irmã" do médico coloca a morte como ponto de reflexão e questionamento. Afinal, qual o sentido da vida, ela tem mesmo de possuir um sentido? Essa e outras questões ficarão na mente do leitor.


É, sobretudo, uma estória para quem permite questionar-se. Sejamos então leitores críticos, questionadores. 




Informações sobre o Livro :



Titulo: Delirium
Autor: Carlos Patricio
Ilustrador: Cassio Gois
Edição: I
Editora: Página 42 Editora
Ano: 2014
Paginas: 228


Para falar com o autor e mesmo saber como adquirir o livro: 

Carlos Patrício  

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Comentando um conto: Lindos Sonhos dourados ( Carlos Patrício)

Escrevo com uma agradabilíssima sensação que os viajantes literários conhecem bem. Findei mais um conto do inebriante livro "Delirium", de Carlos Patrício. No texto escrito com maestria e com uma invejável coleção de citações musicais encontrei uma porta preciosa para embarcar nos "Lindos Sonhos Dourados".


O conto traz, especialmente a esse que vos escreve, intimas lembranças de conflito familiares. Encontramos nosso personagem central enfrentando momentos decisivos de sua vida, passando por uma fase de rebeldia e busca incessante por felicidade e aceitação. Esse jovem protagonista, que se assemelha a tantos outros jovens com a mesma busca, enfrenta desafios reflexivos e por varias vezes ruma ao fundo do poço envolvendo-se com drogas e brigas. Não fosse meros caprichos do acaso seu fim poderia ter sido lamentável, algo comum para quem embarca na perigosa viagem da rebeldia e fuga da realidade através do abuso das drogas.

A narrativa é jovem, e lhes cairia muito bem fazer tal leitura. É importante que reflitamos sempre sobre as pessoas ao nosso redor e as relações que temos com elas. Faz-se necessário que sejamos estrategistas com a vida, pois os sofrimentos e as confusões sempre virão e quem souber as melhores maneira de lidar com estes se sairá muito melhor.

Crescer é quase sempre frustrante. A perda da inocência, energia e momentos que a infância nos proporcionava é dolorosa. Como adultos recebemos tantas incumbências, tantas exigências e reclamações que vamos muitas vezes desejar alguma fuga, um atalho pratico e rápido que nos afaste dos problemas. Nisso nossas escolhas serão o mais importante, seguir em frente e vencer requer boas escolhas e muita responsabilidade sobre suas próprias ações.


O conto mexeu com meu emocional, e pressuponho que possa fazer o mesmo com outros leitores, pois toca nos nossos conflitos da transição para a vida de adulto. E acreditem, as "adultices" podem ser bárbaras e cruéis, ao mesmo tempo em que recebemos um leque de oportunidades e prazeres que só são possíveis aos adultos, temos de arcar com as partes negativas também.



Informações sobre o Livro :


Titulo: Delirium
Autor: Carlos Patricio
Ilustrador: Cassio Gois
Edição: I
Editora: Página 42 Editora
Ano: 2014
Paginas: 228


Para falar com o autor e mesmo saber como adquirir o livro: 

Carlos Patrício  

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Comentando um conto : Doutor sádico/ Truco!/Pouco antes da Virada (Carlos Patrício )

Nesta sessão "Comentando um conto" falarei de três contos do autor Carlos Patrício, presentes no Delirium 

Doutor Sádico

Para ler alguns contos é preciso ter certa coragem e audácia. Medo e excesso de pudor podem afastar o leitor de contos mais tensos, e nem por isso menos valorosos. No conto "Doutor Sádico" o autor consegue lidar com dois tempos distintos, passado e presente, intercalando-os de uma maneira inteligente e envolvente. Seu livro não poderia ter outro nome que não "Delirium. Os personagens do conto se diferem profundamente em ideais. O vilão representa o que há de pior na humanidade, a capacidade de desprezar a vida do outro e manipulá-la a seu bel prazer, ignorando quais sejam os absurdos envolvidos nesse entendo. O outro personagem, a vítima, tem de lutar em meio à dor física e confusão mental, preso num antro de puro horror e cheiro de morte. 


Li com o coração acelerado, a garganta ruidosa e minha esperança em questionamento. Não sabia o que esperar do horror que afligia a vitima. Seu algoz, um psicopata intelectual versado nas literaturas mais perversas que a humanidade produziu, cita de desde o Conde de Lautréamont até Hitler, enquanto fere a corpo e confunde a mente do seu brinquedo de prazer insano. Travam uma batalha, onde astúcia e lábia são poderosas armas, que devem superar mesmo o perigo das laminas. 


Esse vilão certamente figura entre os personagens mais dementes que já conheci. Dentre as atrocidades de seus assassinatos e torturas infinitamente cruéis ele ousa ferir mesmo crianças. É um personagem que nasceu para ser odiado e que nunca poderá se redimir. Pedófilo, estuprador, assassino, necrófilo. Justamente por ser tão terrível o vilão é que eu dou pontos a mais para esse conto, nós leitores, precisamos encontrar personagens assim, mesmo sendo amantes da fantasia não nos esqueçamos que a linha que separa o real do imaginário é tênue e que os fantasmas de nossos pesadelos estão no mundo real. Temos de reconhecer a humanidade em nós e como os seres são falhos. Não, não quero lançar uma veia de pessimismo e medo, é apenas um ponto para refletirmos, para vermos até que ponto podemos ir pelo que acreditamos ser o melhor para nós, o egocentrismo é uma semente de perversão nos seres.


A estória finda de maneira surpreendente, o que não revelarei, mas deixarei que o leitor curioso imagine, ou mesmo busque o conto e descubra também seu caminho nesse conto de luz e trevas. 


Indo além da estória por estória, o livro ainda nos traz citações de grandes autores, alguns cruéis devo lembrar e outros considerados os mais geniais de seus tempos. Muitas curiosidades são apresentadas e muitos questionamentos sobre nos mesmos são lançados. A figura do Doutor Sádico me faz lembrar o pensamento poético de que uma ideia pode resistir ao tempo, e mesmo a morte, para quem sabe um dia crescer e atingir seu propósito. Lembra-me também dos meus próprios questionamentos sobre a fé, em especial no que se relaciona com a afirmativa "a fé move montanhas". Vejo a fé não no sentido puramente religioso, mas na ideia de "acreditar em algo". Grandes vilões e heróis da historia, e também das estórias, só se tornaram personagens inesquecíveis por lutarem com toda força pelo que acreditavam, alguns a qualquer custo. Pensando o bem e o mal como algo relativo, me é difícil ainda deduzir o que é herói e vilão. Eu mesmo tenho um ideal de moral que não condiz com a grande massa, valorizo a bondade e a caridade acima de qualquer religião ou ideal político.

Ah, deixo um aviso, além das grandes atrocidades presentes no conto, temos ainda uma discussão um tanto acida e quase lúcida, sobre o valor da religião. Assim só recomendo que leia o conto que estiver disposto a discutir consigo mesmo tal tema. Questionar-se é preciso (e precioso).



Truco!

O que é a morte? O que será de nós quando o corpo for dado aos vermes? Simples cadáveres ou almas evoluídas plainando num infinito de paz e luz, ou ainda sombras imersas no fogo infernal? Quem é que pode saber...

O conto "Truco!" traz uma estória curiosa, um final que embora eu já suspeitasse não foi menos prazeroso. Os acontecimentos se desenvolvem a partir de uma mesa de amigos jogando truco que são subitamente surpreendidos por um assaltante. O desenrolar da estória traz a morte para a cena e nos deixa um questionamento na fala do narrador-personagem "Quando a ficha caiu, meu sono se deparou com as barreiras da reflexão [...] Não viver... é assombroso meditar sobre a ideia". 

Eu devo admitir, refletir sobre a morte não me agrada nem um pouco. O simples pensamento de parar de produzir historia e estórias perturba-me. Afinal, o que nos aguarda? Se o paraíso, que paraíso seria, o dos cristãos, muçulmanos, hindus? E se for apenas o NADA? Detesto essa possibilidade, mesmo que se estando no nada não poderemos sofrer por essa condição, ainda detesto a ideia de tornar-me sem existência, sem memória e logo absolutamente improdutivo. E vocês, amigos leitores, como enxergam a morte? 


Pouco antes da Virada


O conto "Pouco antes da virada" traz em suas duas paginas reflexões que tornam a nos fazer questionar sobre nós, sobre a morte e o egoísmo. Vemos um sujeito declarar em versos poéticos seus desejos de vida e morte. Afirma os fatos cruéis que a vida lhe ordenou e pergunta-nos se é mesmo ou não egoísmo desejar que com sua morte o mundo todo se exploda. Não sei, talvez seja. Afinal quando morremos bem pode ser que nosso mundo, nosso ego, se exploda e nada mais nos reste, nem mesmo flutuar no vazio. 



Informações sobre o Livro :


Titulo: Delirium

Autor: Carlos Patricio

Ilustrador: Cassio Gois

Edição: I

Editora: Página 42 Editora

Ano: 2014

Paginas: 228


Para falar com o autor e mesmo saber como adquirir o livro: 

Carlos Patrício