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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Comentando um conto " Telefone sem Fio" ( Carlos patrício )

"Telefone sem fio" é um conto envolvente e preparado com inteligencia e humor. Reflete em suas linhas importantes reflexões a cerca do nosso cotidiano de imediatismo e busca desenfreado pelo prazer. O leitor é convidado a aprender um pouco, sem a monotonia que um texto meramente didático poderia ter ( não que eu não goste do didático, afinal sou Professor). 




O Conto é curioso e atrativo, tem uma deliciosa coleção de apelidos que o autor lança sobre seus personagens. Trata de assuntos sérios, mas quebra o gelo com humor contido e contagiante, sem exageros. Vamos de encontro a situação conflituosas do dia a dia, no que tange a sexualidade o texto lida com a questão do uso e não uso da camisinha bem como os riscos de se contrair um DST. Tal comportamento deve ser discutido, pois oferece grande risco e serias consequências.  Ou elemento trabalhado é a fofoca ( e como dizem por ai "como são deliciosos os mexericos"). Creio que todos já tiveram envolvimento com fofocas, seja como vitimas ou propagadores. Ela toca no nosso instinto de curiosidade e mesmo os mais atentos podem se descuidar e cair nas suas armadilhas. É o clássico " quem conta um conto aumenta um ponto", o vicioso hábito do telefone sem fio pode propagar um informação simples e fazer dela algo catastrófico, e até trazer consequências sérias para os envolvidos. 

Na historia vemos nosso personagem central se envolver num romance "instantâneo" demais para durar. Sua amada, entre bebidas alcoólicas e investidas assanhadas para cima de tomo mundo contrai e passa para seu companheiro uma doença que mudará definitivamente o rumo de sua vida. vamos do bobo romance de carnal ao humor e por fim a tragédia ( que bem poderia ter sido evitada com um pouco de sensatez). Sabidamente a ficção se assemelha a realidade e quem se descuida está plenamente sujeito a ter sua vida transformada também por uma bomba como essa. 


Para falar com o autor e mesmo saber como adquirir o livro: 


Comentando um conto: A questão de todas as questões ( Carlos Patrício)

Sigo meu caminho literário pelo mundo dos contos de Carlos patrício no livro Delirium. Mais uma vez encontrei personagens envolventes e reflexões valiosas.



"A questão de todas as questões" apresenta três personagens com diferentes discursos sobre crenças, deuses e religião. Cada qual com seus argumentos defende o que pensa e se oportuniza atacar, com sutileza ou fúria, a ideia do outro.

Encontramos um médico que acredita na existência de um deus , mas repudia as religiões e os grandes males que alguma causaram e causam à humanidade. Uma funcionaria da cantina do Hospital que crê fervorosamente na Bíblia, fiel e devota é incapaz de questionar. E por fim a "irmã" do medico, uma moça que se destaca por ser ateia e que sofre da maligna doença: o câncer.
No desenvolver do conto cada personagem tem a oportunidade de expor suas idéias. Os argumentos são claros e os leitores podem se identificar com algum dos personagens. Imagino que , assim como eu, cada leitor pode se identificar com um personagem e escolher a posição dele e até mesmo se sentir enérgico contra o personagem que se opor ao seu escolhido.

O câncer da "irmã" do médico coloca a morte como ponto de reflexão e questionamento. Afinal, qual o sentido da vida, ela tem mesmo de possuir um sentido? Essa e outras questões ficarão na mente do leitor.


É, sobretudo, uma estória para quem permite questionar-se. Sejamos então leitores críticos, questionadores. 




Informações sobre o Livro :



Titulo: Delirium
Autor: Carlos Patricio
Ilustrador: Cassio Gois
Edição: I
Editora: Página 42 Editora
Ano: 2014
Paginas: 228


Para falar com o autor e mesmo saber como adquirir o livro: 

Carlos Patrício  

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Comentando um conto: Lindos Sonhos dourados ( Carlos Patrício)

Escrevo com uma agradabilíssima sensação que os viajantes literários conhecem bem. Findei mais um conto do inebriante livro "Delirium", de Carlos Patrício. No texto escrito com maestria e com uma invejável coleção de citações musicais encontrei uma porta preciosa para embarcar nos "Lindos Sonhos Dourados".


O conto traz, especialmente a esse que vos escreve, intimas lembranças de conflito familiares. Encontramos nosso personagem central enfrentando momentos decisivos de sua vida, passando por uma fase de rebeldia e busca incessante por felicidade e aceitação. Esse jovem protagonista, que se assemelha a tantos outros jovens com a mesma busca, enfrenta desafios reflexivos e por varias vezes ruma ao fundo do poço envolvendo-se com drogas e brigas. Não fosse meros caprichos do acaso seu fim poderia ter sido lamentável, algo comum para quem embarca na perigosa viagem da rebeldia e fuga da realidade através do abuso das drogas.

A narrativa é jovem, e lhes cairia muito bem fazer tal leitura. É importante que reflitamos sempre sobre as pessoas ao nosso redor e as relações que temos com elas. Faz-se necessário que sejamos estrategistas com a vida, pois os sofrimentos e as confusões sempre virão e quem souber as melhores maneira de lidar com estes se sairá muito melhor.

Crescer é quase sempre frustrante. A perda da inocência, energia e momentos que a infância nos proporcionava é dolorosa. Como adultos recebemos tantas incumbências, tantas exigências e reclamações que vamos muitas vezes desejar alguma fuga, um atalho pratico e rápido que nos afaste dos problemas. Nisso nossas escolhas serão o mais importante, seguir em frente e vencer requer boas escolhas e muita responsabilidade sobre suas próprias ações.


O conto mexeu com meu emocional, e pressuponho que possa fazer o mesmo com outros leitores, pois toca nos nossos conflitos da transição para a vida de adulto. E acreditem, as "adultices" podem ser bárbaras e cruéis, ao mesmo tempo em que recebemos um leque de oportunidades e prazeres que só são possíveis aos adultos, temos de arcar com as partes negativas também.



Informações sobre o Livro :


Titulo: Delirium
Autor: Carlos Patricio
Ilustrador: Cassio Gois
Edição: I
Editora: Página 42 Editora
Ano: 2014
Paginas: 228


Para falar com o autor e mesmo saber como adquirir o livro: 

Carlos Patrício  

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Comentando um conto : Doutor sádico/ Truco!/Pouco antes da Virada (Carlos Patrício )

Nesta sessão "Comentando um conto" falarei de três contos do autor Carlos Patrício, presentes no Delirium 

Doutor Sádico

Para ler alguns contos é preciso ter certa coragem e audácia. Medo e excesso de pudor podem afastar o leitor de contos mais tensos, e nem por isso menos valorosos. No conto "Doutor Sádico" o autor consegue lidar com dois tempos distintos, passado e presente, intercalando-os de uma maneira inteligente e envolvente. Seu livro não poderia ter outro nome que não "Delirium. Os personagens do conto se diferem profundamente em ideais. O vilão representa o que há de pior na humanidade, a capacidade de desprezar a vida do outro e manipulá-la a seu bel prazer, ignorando quais sejam os absurdos envolvidos nesse entendo. O outro personagem, a vítima, tem de lutar em meio à dor física e confusão mental, preso num antro de puro horror e cheiro de morte. 


Li com o coração acelerado, a garganta ruidosa e minha esperança em questionamento. Não sabia o que esperar do horror que afligia a vitima. Seu algoz, um psicopata intelectual versado nas literaturas mais perversas que a humanidade produziu, cita de desde o Conde de Lautréamont até Hitler, enquanto fere a corpo e confunde a mente do seu brinquedo de prazer insano. Travam uma batalha, onde astúcia e lábia são poderosas armas, que devem superar mesmo o perigo das laminas. 


Esse vilão certamente figura entre os personagens mais dementes que já conheci. Dentre as atrocidades de seus assassinatos e torturas infinitamente cruéis ele ousa ferir mesmo crianças. É um personagem que nasceu para ser odiado e que nunca poderá se redimir. Pedófilo, estuprador, assassino, necrófilo. Justamente por ser tão terrível o vilão é que eu dou pontos a mais para esse conto, nós leitores, precisamos encontrar personagens assim, mesmo sendo amantes da fantasia não nos esqueçamos que a linha que separa o real do imaginário é tênue e que os fantasmas de nossos pesadelos estão no mundo real. Temos de reconhecer a humanidade em nós e como os seres são falhos. Não, não quero lançar uma veia de pessimismo e medo, é apenas um ponto para refletirmos, para vermos até que ponto podemos ir pelo que acreditamos ser o melhor para nós, o egocentrismo é uma semente de perversão nos seres.


A estória finda de maneira surpreendente, o que não revelarei, mas deixarei que o leitor curioso imagine, ou mesmo busque o conto e descubra também seu caminho nesse conto de luz e trevas. 


Indo além da estória por estória, o livro ainda nos traz citações de grandes autores, alguns cruéis devo lembrar e outros considerados os mais geniais de seus tempos. Muitas curiosidades são apresentadas e muitos questionamentos sobre nos mesmos são lançados. A figura do Doutor Sádico me faz lembrar o pensamento poético de que uma ideia pode resistir ao tempo, e mesmo a morte, para quem sabe um dia crescer e atingir seu propósito. Lembra-me também dos meus próprios questionamentos sobre a fé, em especial no que se relaciona com a afirmativa "a fé move montanhas". Vejo a fé não no sentido puramente religioso, mas na ideia de "acreditar em algo". Grandes vilões e heróis da historia, e também das estórias, só se tornaram personagens inesquecíveis por lutarem com toda força pelo que acreditavam, alguns a qualquer custo. Pensando o bem e o mal como algo relativo, me é difícil ainda deduzir o que é herói e vilão. Eu mesmo tenho um ideal de moral que não condiz com a grande massa, valorizo a bondade e a caridade acima de qualquer religião ou ideal político.

Ah, deixo um aviso, além das grandes atrocidades presentes no conto, temos ainda uma discussão um tanto acida e quase lúcida, sobre o valor da religião. Assim só recomendo que leia o conto que estiver disposto a discutir consigo mesmo tal tema. Questionar-se é preciso (e precioso).



Truco!

O que é a morte? O que será de nós quando o corpo for dado aos vermes? Simples cadáveres ou almas evoluídas plainando num infinito de paz e luz, ou ainda sombras imersas no fogo infernal? Quem é que pode saber...

O conto "Truco!" traz uma estória curiosa, um final que embora eu já suspeitasse não foi menos prazeroso. Os acontecimentos se desenvolvem a partir de uma mesa de amigos jogando truco que são subitamente surpreendidos por um assaltante. O desenrolar da estória traz a morte para a cena e nos deixa um questionamento na fala do narrador-personagem "Quando a ficha caiu, meu sono se deparou com as barreiras da reflexão [...] Não viver... é assombroso meditar sobre a ideia". 

Eu devo admitir, refletir sobre a morte não me agrada nem um pouco. O simples pensamento de parar de produzir historia e estórias perturba-me. Afinal, o que nos aguarda? Se o paraíso, que paraíso seria, o dos cristãos, muçulmanos, hindus? E se for apenas o NADA? Detesto essa possibilidade, mesmo que se estando no nada não poderemos sofrer por essa condição, ainda detesto a ideia de tornar-me sem existência, sem memória e logo absolutamente improdutivo. E vocês, amigos leitores, como enxergam a morte? 


Pouco antes da Virada


O conto "Pouco antes da virada" traz em suas duas paginas reflexões que tornam a nos fazer questionar sobre nós, sobre a morte e o egoísmo. Vemos um sujeito declarar em versos poéticos seus desejos de vida e morte. Afirma os fatos cruéis que a vida lhe ordenou e pergunta-nos se é mesmo ou não egoísmo desejar que com sua morte o mundo todo se exploda. Não sei, talvez seja. Afinal quando morremos bem pode ser que nosso mundo, nosso ego, se exploda e nada mais nos reste, nem mesmo flutuar no vazio. 



Informações sobre o Livro :


Titulo: Delirium

Autor: Carlos Patricio

Ilustrador: Cassio Gois

Edição: I

Editora: Página 42 Editora

Ano: 2014

Paginas: 228


Para falar com o autor e mesmo saber como adquirir o livro: 

Carlos Patrício  

Comentando um conto : Agoniado ( Carlos Patrício)


A titulo de esclarecimento devo justificar as postagens do "Comentando um conto" que estou fazendo. Pretendo destrinchar o livro de contos "Delirium", de Carlos Patrício. Conforme vou de encontro a cada uma de suas narrativas, analiso a dança das palavras e vou entrando em cada porta que se abre. Desejo assim fazer mais do que uma simples viagem, uma verdadeira invasão do mundo delirante que o autor apresenta. Vejo nessa leitura intima a oportunidade de degustar todas as letras ofertadas e experimentar as sensações escondidas atrás de cada titulo. Assim seguirei até esgotar todo o livro à ser apresentado a vocês, leitores.

Antes de comentar o conto, devo falar também da Arte do livro que foi muito bem trabalhada. As ilustrações impressionantes de Cassio Gois me lembram a capa negra de um dementador, essencial na construção da representação da figura. Casou tão bem com os contos que não seria exagero dizer que um não seria completo sem o outro, embora individualmente cada qual contenha sua magia. Como se cada passagem de um conto para o outro fosse vigiada por um intrigante guardião de portal, a figura ali plantada pelo ilustrador.


Amante da literatura desde muito cedo eu sei que algumas estórias são deliciosamente devoradas pelo leitor, enquanto outras, semelhantes a cães infernais entediados, o devoram com desgosto e preguiça, fazendo do leitor trapos chatos e desprovidos de luz (há leituras que matam a vontade de ler). Quando existe sintonia entre leitor e texto as emoções se afloram e cada pagina abre espaço para o mergulho do leitor. As sensações parecem bailar no mar de palavras.

Ler o conto "Agoniado" fez-me mais uma vez me lembrar do cotidiano em que vivo, dos freqüentes disparos de ansiedade e os atos, quase loucos, que tenho de empreender a fim de amenizar esse sofrimentos. Eu, e outros leitores, talvez, nos identifiquemos facilmente com o personagem, por sermos tão marcados por uma sociedade de imediatismo, pressa constante e estresse. Enquanto lia, sentia minha própria ansiedade aumentar, a sede por adentrar a estória crescia a cada delirante gole. Leituras assim, tensas como a de "Agoniado" exigem de nós calma e cuidado, para não perdermos o próprio controle, entretanto são nesses contos que mergulhamos de cabeça!

O conto ganha muitos pontos por nos manter envolvidos e interessados a cada passo do personagem e  curiosamente ( talvez nem tão curiosamente) atinge o ponto da ansiedade do leitor, aproximando-o do desesperado personagem.

Informações sobre o Livro :


Titulo: Delirium
Autor: Carlos Patricio
Ilustrador: Cassio Gois
Edição: I
Editora: Página 42 Editora
Ano: 2014
Paginas: 228


Altamente recomendado para leitores que gostam de contos, que tenham a mente aberta e estejam preparados para um viagem fascinante por terras belas e cheias de segredos.